A aula abaixo foi planejada por mim. Se você é professor e quer usá-la fique a vontade, a proposta é minha mas a partir do momento em que você a usa "imprime" nela seu estilo de dar aula. Peço apenas para que cite a fonte e que me conte depois como foi: se os alunos gostaram, se teve que alterar algo, etc assim poderei ir melhorando-a ;)

Trecho de texto filosófico


“Sócrates: Protágoras afirma que a medida de todas as coisas é o homem: coisas que são, pelo que são, daquelas que não são, pelo que não são, entendendo por medida a norma de juízo e por coisas os fatos em geral. Logo, o homem é a norma que julga todos os fatos: daqueles que são pelo que são, daqueles que não são pelo que não são. Por isso, ele admite somente aquilo que parece a cada indivíduo, introduzindo, dessa forma, o princípio de relatividade. Segundo ele, portanto, quem julga as coisas é o homem. De fato, tudo o que parece aos homens também é; e o que não parece a nenhum homem tampouco é... 
Protágoras: Eu afirmo, sim, que a verdade é mesmo como escrevi: que cada um de nós é a medida das coisas que são e que não são; mas existe uma diferença infinita entre homem e homem, e exatamente por isso as coisas parecem e são de um jeito para uma pessoa e, de outro jeito, para outra pessoa. Estou longe de negar que existam a sabedoria e o homem sábio, ou, antes, que chamo sábio aquele que, transmudando aquilo que em certas coisas parece e é ruim, consegue fazer com que essas mesmas coisas pareçam e sejam boas. E tu não combatas meu raciocínio se detendo em palavras, mas vê de entender assim, cada vez mais claramente, o que quero dizer. [...] E quanto aos sábios, amigo Sócrates, eu estou bem longe de considera-los batráquios. Quando cuidam dos corpos, eu os chamo médicos; quando cuidam das plantas, agricultores. E digo que esses agricultores introduzem nas plantas, quando alguma adoece, sensações boas e salutares, não somente verdadeiras, em vez de sensações ruins; e os sábios e bons oradores fazem com que pareça justo às cidades o bem em vez do mal. Com efeito, o que para uma determinada cidade parece justo e belo de fato assim o é enquanto ela considerar e admitir que é justo e belo: mas é sábio o homem que substitui cada coisa que pareça má aos cidadãos por outras coisas que sejam e pareçam boas. Pelo mesmo motivo, também sofista, que é capaz de educar desse modo os seus alunos, é homem sábio e merece ser pago por esses alunos com muito dinheiro.” 

Referência: PLATÃO. Teeteto. IN: Platão Diálogos- Teeteto Crátilo. Belém do Pará: Editora Universitária UFPA. Tradução de Carlos Alberto Nunes. p. 63-73.

Texto didático 
“[Os sofistas] Em meados do século V, em Atenas, um grupo de intelectuais escandalizou os filósofos da época ao fazer do saber uma profissão, oferecendo aulas de retórica e de eloquência aos jovens da classe dirigente que pretendiam dedicar-se à carreira política. Esse grupo era chamado de sofista, do grego sophistés, que significa sábio. Como os atenienses de boa condição social achavam indecoroso pagar para serem servidos, os sofistas foram tratados com desprezo pela elite intelectual. De fato, eram todos metecos- ou seja, estrangeiros- excluídos, portanto, da vida política e dos direitos derivados da posse da cidadania. Obrigados pela sua profissão a descolar-se continuamente de cidade em cidade, contribuíram enormemente para que a cultura grega não se mantivesse nos limites das províncias e afirmaram pela primeira vez o princípio do cosmopolitismo.”
Referência: NICOLA, Ubaldo. Antologia ilustrada de Filosofia: das origens à idade moderna. São Paulo: Editora Globo, 2002. p. 40-41.


Atividade avaliativa
1Escreva um texto relacionando a imagem abaixo com seus conhecimentos sobre os sofistas:


2. De acordo com o texto acima, como os sofistas tentavam conciliar a tese de que "o homem é a medida de todas as coisas" com a existência de pessoas sábias?
3. Você concorda com a afirmação de Górgias "o homem é a medida de todas as coisas"? Justifique sua resposta.


Observação: Esta publicação faz parte da "série" Aulas de Filosofia Antiga. Tenho ministrado aulas de Filosofia Antiga para o 1º ano do nível médio há 4 anos, por isso acumulei muitos materiais produzidos por mim. Recentemente encontrei uma antiga apostila que havia montado em meu primeiro ano como professora e mesmo tendo mudado muita coisa em minha forma de lecionar, resolvi compartilhar este material como forma de documentar minha prática e quem sabe ajudar algum colega de profissão. 


“MILAGRE, ela escreveu um post!”
Verdade, faz muito tempo que não escrevo, desde Fevereiro deste ano :O! Com a mudança da sistemática de avaliação de semestres para bimestres, ficou difícil conciliar especialização, estudos para outros sonhos, vida pessoal e blog; mas aos poucos estou colocando as coisas nos eixos. Bom, vamos deixar as justificativas de lado e ir direto ao assunto?
Enfim estou tendo coragem de realizar algo que desde meu primeiro ano ministrando aulas para o 3° ano do Ensino Médio eu senti vontade, mas por medo* sempre deixava “para quando eu dominar melhor o conteúdo”: um material de revisão para o ENEM.
Este ano, além de trabalhar com alunos do 3° ano estou ministrando aulas no pré-vestibular COC (Curso Opção Certa)** e isso melhorou muito minha capacidade de explicar e resumir conteúdos. Recentemente ao final de uma aula lá, conversando com duas alunas tive a ideia de fazer algo simples: esquemas para o ENEM resumindo o conteúdo que costuma ser mais cobrado em Filosofia ao longo dos anos. Unindo o útil ao agradável, vou usar este material com meus alunos do 3° ano para a revisão e compartilhar com quem tiver interesse aqui no blog, se quiser baixar em pdf é só clicar em  Revisão ENEM-2016.***
Dicas:
  1. Este é um material de REVISÃO, então se você não estudou algum dos conteúdos nele abordados será mais difícil entender.
  2.  Recomendo para vestibulandos terem na ponta da língua 4 filósofos que é certeza pelo menos 2 serem abordados em um vestibular: Platão, Aristóteles, Descartes e Kant.
  3.  As informações que destaquei em cinza ou com uma seta na frente, são pontos chaves que costumam cobrar da filosofia do filósofo em questão.
  4. Use-o junto com as questões do ENEM de edições anteriores potencializando sua revisão.
  5. Espero sinceramente que gostem do material e que ele os ajude de alguma forma. Um abraço e até a próxima aula! Ops... Até o próximo post.

*Medo de fazer algo ruim, de ter uma repercussão negativa, das críticas, de olhar para trás e pensar “não acredito que eu mostrei isso ao mundo”. Resolvi substituir esse medo por pensar “nossa em 2016 eu fiz este material e considerava bom... Como as coisas mudam! Hoje sou capaz de fazer algo BEM MELHOR, o caminho até aqui foi longo.”
**Falarei mais a respeito disso em outro momento. 
***Por me ensinar a postar arquivos no MediaFire, mais uma vez muito obrigado Ricardo Amolador Marx rsrs



Uma reclamação constante dos alunos é que eu não uso muitas dinâmicas em minhas aulas. Para eles dinâmica é sinônimo de aula divertida, para mim quase sempre é sinônimo de enrolação. Não que eu tente algo contra aulas divertidas, pelo contrário, me esforço para que minhas aulas sejam legais, mas meu grande objetivo é ensinar o conteúdo. Desta forma, só uso uma dinâmica quando ela tem relação com o conteúdo e ajuda na sua compreensão.

Era este tipo de dinâmicas (que mantém relação com o conteúdo trabalhado e por isso ajudam o aluno a compreendê-lo) que eu esperava encontrar no livro Dinâmicas para aulas de Filosofia de Waldir Pedro. O Waldir é jornalista e filósofo, escreveu neste livro as atividades que usou para despertar o interesse dos alunos para a disciplina durante o tempo em que foi professor do ensino médio. Ao longo do livro ele apresentou 19 dinâmicas que ele indica para serem usadas antes de trabalhar o conteúdo, o que eu discordo em partes. Após ler, as subdividi em 4 grupos:
Show 
São aquelas que nem vou fazer muitas adaptações para usar em sala de aula:

O julgamento- Será que os fins justificam os meios? (Filósofo trabalhado: Maquiavel). Como o próprio nome já diz nesta dinâmica, o professor sortearia entre os alunos o juiz, os advogados de defesa, os de acusação, Robin Hood  e o júri que deverá julgar se ele é ou não culpado pelos crimes de roubo.

Eu quero uma pra viver- O conceito de ideologia (Filósofo trabalhado: Karl Max). O professor dividiria os alunos em 4 grupos e entregaria notícias de jornais e revistas pedindo que eles selecionem e avaliem: notícias nas quais o relato tenha sido tendencioso, se o jornalista só contou ou fato ou manifestou também sua opinião, qual notícia ou comentário eles não concordam. Depois os grupos apresentam seus resultados, o professor coloca a música Como nossos pais- Belchior e então é aberta a discussão.
Adaptando dá para usar
Estas eu só usaria adaptando alguns detalhes, na maioria dos casos o problema é que elas carecem de conteúdo. Não vou descrever neste post que adaptações pensei, mas quando colocá-la em prática ao longo deste ano compartilho aqui no blog a adaptação e a experiência.

Momento para filosofar-  A diferença entre filosofia e senso comum. O professor deve colocar várias frases, dentre elas algumas de filosofia ou de pessoas e livros famosos, recortá-las e colocar numa caixa, cada aluno retira uma frase, é feito um círculo e cada um fala sobre o significado da frase que retirou. Assim que terminei de ler franzi o cenho e balancei a cabeça...

Mitos- Introdução ao conhecimento dos mitos (palavra do autor). O professor deverá dividir a turma em grupos de 8 alunos, cada grupo pesquisará um mito e o apresentará para a turma em uma peça teatral na qual eles não podem usar a fala (me pergunto, qual a razão disso...) toda a encenação deverá ser feita apenas com gestos. Depois das apresentações é aberta a reflexão: quais os mitos modernos? (e qual a relação entre o conteúdo e esta metodologia?)

Linguagem não verbal- Os diferentes tipos de linguagem. Separando a turma em grupos dispostos cada um em um círculo, o professor entregará uma imagem a cada grupo, será dado alguns minutos durante os quais os alunos devem refletir sobre o significado daquela imagem. Depois disso, abre-se a discussão sobre o valor da linguagem não verbal.

Retórica- Retórica e oratória, um gancho para introduzir os Sofistas. O nome de várias profissões é colocado dentro de um saco, cada aluno sorteia uma profissão e tem 5 minutos para defende-la. O “jogo” começa com dois alunos, o que defender melhor sua profissão ganha, quem escolhe qual ganhou é o resto da turma, e continua jogando com outros alunos. No final, o professor pode dar a chance a algum aluno que tenha perdido de enfrentar novamente o aluno que estava vencendo. Ao final abre-se a discussão para analisar os argumentos que os vencedores usaram.

Rede Social- Teoria da comunicação ou aulas sobre a tecnologia e a robotização do homem. Em duplas os alunos discutiriam por dez minutos as seguintes frases: Não existem passageiros na espaçonave terra. Somos todos tripulação.- Marshall McLuhan e No futuro, todo mundo terá seus 15 minutos de fama.- Andy Warhol. Depois disso cada aluno escreveria sua opinião sobre o que foi discutido em um texto com apenas 140 caracteres, como no Twitter. Os alunos ficariam sentados em círculo e o professor pegaria um barbante entregando o início do fio para o primeiro aluno a falar, conforme outro aluno vai falando o barbante é estendido até ele, no final será formada uma grande rede emaranhada. Neste momento é aberta a discussão sobre as redes sociais e o futuro da humanidade.

Ditados Populares- Introduzir o conceito de cultura, questionar o peso dos valores e tradições na formação da identidade. O professor levaria frases de ditados populares recortadas ao meio e as distribuiria entre os alunos, que formariam duplas ao encontrar a outra metade de sua frase. Um aluno da dupla, ao apresentar a frase para a turma, deverá falar a favor da frase e o outro contra. Após as apresentações é aberta a discussão.

O fato e a versão- As diferentes concepções de verdade. Divididos em grupos o professor lerá para a turma um texto incompleto (o texto sugerido no livro, quando recortado, dá a ideia de que um dos personagens cometeu um crime e por isso deve ser castigado) e a turma deverá responder a perguntas sobre ele. As respostas serão anotadas e depois apresentadas para a turma, só então o professor lerá o texto inteiro.

Avaliação- Esta é uma dinâmica que deverá ser usada como forma de revisão. O professor fala um pouco sobre o conteúdo trabalhado anteriormente e diz que irão fazer uma prova sobre este assunto. Neste momento os alunos devem formar um círculo e cada um escreve em um pedaço de papel uma dúvida que tem sobre o assunto, não é preciso colocar o nome no papel. Depois disso o professor entrega uma bexiga a cada aluno, que deverá colocar a pergunta dentro da bexiga e a encher. Enchidas as bexigas, elas serão “embaralhadas” a um sinal emitido pelo professor, cada aluno pega uma bexiga a estoura e responde oralmente a pergunta que está dentro. O professor pode complementar as respostas dos alunos quando necessário. (Achei a bexiga desnecessária).

Autoconhecimento- Conhece a ti mesmo (Filósofo trabalhado: Sócrates). O professor leva para a sala de aula um chapéu com um espelho no fundo, todos s alunos devem olhar o fundo deste chapéu e cada um deverá escrever um texto respondendo se Você tiraria o chapéu para a pessoa que viu dentro do chapéu? Por quê?
As últimas duas categorias eu não irei detalhar para não contar todo o livro, mas se você me conhece pode me pedir o livro emprestado que eu empresto numa boa, aí você fica conhecendo todas elas ;)
Bobinhas/enrolação: Jogo do contrário, Utopia, O poder, O toque, Quadro e Estética
Não tenho conhecimento suficiente para julgar: Lembranças (o conteúdo é literalmente Freud) e Livros (conteúdo Henri Bergson).
Valeu a pena ter comprado o livro? Bom, das 19 dinâmicas, 11 são aplicáveis e as demais, mesmo que eu não use, expandiram um pouco meu olhar para este tipo de metodologia e podem servir de base para que eu pense em dinâmicas melhores, então para mim valeu bastante. Sem contar que paguei só 15,90 nele :) Mas...  Não recomendo a compra se você ler este post e for um professor do tipo competente: tenho certeza que consegue elaborar, você mesmo, ótimas dinâmicas.
E você, gostou de alguma dinâmica do livro? Pretende usá-las em suas aulas? Usa alguma dinâmica que julga eficaz? Compartilha com a gente ;)