Uma reclamação constante dos alunos é que eu não uso muitas dinâmicas em minhas aulas. Para eles dinâmica é sinônimo de aula divertida, para mim quase sempre é sinônimo de enrolação. Não que eu tente algo contra aulas divertidas, pelo contrário, me esforço para que minhas aulas sejam legais, mas meu grande objetivo é ensinar o conteúdo. Desta forma, só uso uma dinâmica quando ela tem relação com o conteúdo e ajuda na sua compreensão.

Era este tipo de dinâmicas (que mantém relação com o conteúdo trabalhado e por isso ajudam o aluno a compreendê-lo) que eu esperava encontrar no livro Dinâmicas para aulas de Filosofia de Waldir Pedro. O Waldir é jornalista e filósofo, escreveu neste livro as atividades que usou para despertar o interesse dos alunos para a disciplina durante o tempo em que foi professor do ensino médio. Ao longo do livro ele apresentou 19 dinâmicas que ele indica para serem usadas antes de trabalhar o conteúdo, o que eu discordo em partes. Após ler, as subdividi em 4 grupos:
Show 
São aquelas que nem vou fazer muitas adaptações para usar em sala de aula:

O julgamento- Será que os fins justificam os meios? (Filósofo trabalhado: Maquiavel). Como o próprio nome já diz nesta dinâmica, o professor sortearia entre os alunos o juiz, os advogados de defesa, os de acusação, Robin Hood  e o júri que deverá julgar se ele é ou não culpado pelos crimes de roubo.

Eu quero uma pra viver- O conceito de ideologia (Filósofo trabalhado: Karl Max). O professor dividiria os alunos em 4 grupos e entregaria notícias de jornais e revistas pedindo que eles selecionem e avaliem: notícias nas quais o relato tenha sido tendencioso, se o jornalista só contou ou fato ou manifestou também sua opinião, qual notícia ou comentário eles não concordam. Depois os grupos apresentam seus resultados, o professor coloca a música Como nossos pais- Belchior e então é aberta a discussão.
Adaptando dá para usar
Estas eu só usaria adaptando alguns detalhes, na maioria dos casos o problema é que elas carecem de conteúdo. Não vou descrever neste post que adaptações pensei, mas quando colocá-la em prática ao longo deste ano compartilho aqui no blog a adaptação e a experiência.

Momento para filosofar-  A diferença entre filosofia e senso comum. O professor deve colocar várias frases, dentre elas algumas de filosofia ou de pessoas e livros famosos, recortá-las e colocar numa caixa, cada aluno retira uma frase, é feito um círculo e cada um fala sobre o significado da frase que retirou. Assim que terminei de ler franzi o cenho e balancei a cabeça...

Mitos- Introdução ao conhecimento dos mitos (palavra do autor). O professor deverá dividir a turma em grupos de 8 alunos, cada grupo pesquisará um mito e o apresentará para a turma em uma peça teatral na qual eles não podem usar a fala (me pergunto, qual a razão disso...) toda a encenação deverá ser feita apenas com gestos. Depois das apresentações é aberta a reflexão: quais os mitos modernos? (e qual a relação entre o conteúdo e esta metodologia?)

Linguagem não verbal- Os diferentes tipos de linguagem. Separando a turma em grupos dispostos cada um em um círculo, o professor entregará uma imagem a cada grupo, será dado alguns minutos durante os quais os alunos devem refletir sobre o significado daquela imagem. Depois disso, abre-se a discussão sobre o valor da linguagem não verbal.

Retórica- Retórica e oratória, um gancho para introduzir os Sofistas. O nome de várias profissões é colocado dentro de um saco, cada aluno sorteia uma profissão e tem 5 minutos para defende-la. O “jogo” começa com dois alunos, o que defender melhor sua profissão ganha, quem escolhe qual ganhou é o resto da turma, e continua jogando com outros alunos. No final, o professor pode dar a chance a algum aluno que tenha perdido de enfrentar novamente o aluno que estava vencendo. Ao final abre-se a discussão para analisar os argumentos que os vencedores usaram.

Rede Social- Teoria da comunicação ou aulas sobre a tecnologia e a robotização do homem. Em duplas os alunos discutiriam por dez minutos as seguintes frases: Não existem passageiros na espaçonave terra. Somos todos tripulação.- Marshall McLuhan e No futuro, todo mundo terá seus 15 minutos de fama.- Andy Warhol. Depois disso cada aluno escreveria sua opinião sobre o que foi discutido em um texto com apenas 140 caracteres, como no Twitter. Os alunos ficariam sentados em círculo e o professor pegaria um barbante entregando o início do fio para o primeiro aluno a falar, conforme outro aluno vai falando o barbante é estendido até ele, no final será formada uma grande rede emaranhada. Neste momento é aberta a discussão sobre as redes sociais e o futuro da humanidade.

Ditados Populares- Introduzir o conceito de cultura, questionar o peso dos valores e tradições na formação da identidade. O professor levaria frases de ditados populares recortadas ao meio e as distribuiria entre os alunos, que formariam duplas ao encontrar a outra metade de sua frase. Um aluno da dupla, ao apresentar a frase para a turma, deverá falar a favor da frase e o outro contra. Após as apresentações é aberta a discussão.

O fato e a versão- As diferentes concepções de verdade. Divididos em grupos o professor lerá para a turma um texto incompleto (o texto sugerido no livro, quando recortado, dá a ideia de que um dos personagens cometeu um crime e por isso deve ser castigado) e a turma deverá responder a perguntas sobre ele. As respostas serão anotadas e depois apresentadas para a turma, só então o professor lerá o texto inteiro.

Avaliação- Esta é uma dinâmica que deverá ser usada como forma de revisão. O professor fala um pouco sobre o conteúdo trabalhado anteriormente e diz que irão fazer uma prova sobre este assunto. Neste momento os alunos devem formar um círculo e cada um escreve em um pedaço de papel uma dúvida que tem sobre o assunto, não é preciso colocar o nome no papel. Depois disso o professor entrega uma bexiga a cada aluno, que deverá colocar a pergunta dentro da bexiga e a encher. Enchidas as bexigas, elas serão “embaralhadas” a um sinal emitido pelo professor, cada aluno pega uma bexiga a estoura e responde oralmente a pergunta que está dentro. O professor pode complementar as respostas dos alunos quando necessário. (Achei a bexiga desnecessária).

Autoconhecimento- Conhece a ti mesmo (Filósofo trabalhado: Sócrates). O professor leva para a sala de aula um chapéu com um espelho no fundo, todos s alunos devem olhar o fundo deste chapéu e cada um deverá escrever um texto respondendo se Você tiraria o chapéu para a pessoa que viu dentro do chapéu? Por quê?
As últimas duas categorias eu não irei detalhar para não contar todo o livro, mas se você me conhece pode me pedir o livro emprestado que eu empresto numa boa, aí você fica conhecendo todas elas ;)
Bobinhas/enrolação: Jogo do contrário, Utopia, O poder, O toque, Quadro e Estética
Não tenho conhecimento suficiente para julgar: Lembranças (o conteúdo é literalmente Freud) e Livros (conteúdo Henri Bergson).
Valeu a pena ter comprado o livro? Bom, das 19 dinâmicas, 11 são aplicáveis e as demais, mesmo que eu não use, expandiram um pouco meu olhar para este tipo de metodologia e podem servir de base para que eu pense em dinâmicas melhores, então para mim valeu bastante. Sem contar que paguei só 15,90 nele :) Mas...  Não recomendo a compra se você ler este post e for um professor do tipo competente: tenho certeza que consegue elaborar, você mesmo, ótimas dinâmicas.
E você, gostou de alguma dinâmica do livro? Pretende usá-las em suas aulas? Usa alguma dinâmica que julga eficaz? Compartilha com a gente ;)

Se me pedissem para escolher minha melhor compra do ano passado, eu nem pensaria duas vezes antes de responder que foi o Kindle. Se você que está lendo este post é um leitor provavelmente vai franzir o cenho e dizer: Mas ler livro digital não é a mesma coisa que o livro físico, não vale a pena comprar um, não troco meus livros por nada! Eu mesma já torci o nariz para leitores digitais e disse que jamais compraria um.
Por sorte, numa dessas promoções da Amazon <3, resolvi arriscar e comprar a versão mais simples do Kindle. E foi amor ao primeiro toque! Me perguntam muito qual a diferença entre ele e um tablet e se vale a pena compra-lo já que você pode baixar o aplicativo Kindle em aparelhos com Android. Costumo responder resumindo os motivos dele ser tão fantástico: ele foi criado para leitores. E isso, além de massagear meu ego como leitora, faz TODA a diferença.

Ao contrário de um tablet, ele não tem luz na tela, o que faz com que a tela imite melhor as páginas de um livro e torna a leitura bem mais agradável. Mesmo a versão PapperWhite (com iluminação na tela) foi pensada para não cansar a visão durante a leitura. As outras três maiores diferenças entre ele e um tablet são: a tela só reproduz em preto e branco, ele é super leve e a bateria, melhor parte, dura (lendo uma hora por dia) em média 3 semanas. Assim como o tablet ele tem conexão wi-fi, usada principalmente para acessar a loja da Amazon e comprar e-books. O uso do wi-fi faz com que a bateria acabe mais rápido. Ainda assim a duração é muito superior: durante uma viagem usei muito o Kindle para acessar o Facebook, a bateria durou 5 dias.
Ao fim da primeira semana com o Kindle eu já estava fazendo propaganda e recomendando a compra para todo mundo, principalmente meus amigos universitários da área de humanas. Lemos muito textos e grande parte é em pdf, como somos pobres ( ser universitário é sinônimo de ser pobre) não dá pra imprimir tudo, só nos resta ler no computador que é... Péssimo. Mas se você tem um Kindle, é só enviar o arquivo para o e-mail da sua conta que eles entregam no seu dispositivo convertido e prontinho para ler <3 <3 <3  Um investimento, que pode parecer caro demais, mas levando em conta o benefício você termina saindo no lucro.
Outros coisas que eu amo nele são: ele calcular a velocidade de leitura e dizer em quanto tempo irei terminar o livro, poder destacar e compartilhar citações através dele no Facebook e Twitter, além de adicionar comentários. Também descobri, há algum tempo que há uma extensão para o Chorme e o Firefox que pega o conteúdo do site que você está lendo e envia para seu dispositivo chamada Send To Kindle. Parece bobagem, mas asseguro que é muito útil! Toda vez que vejo alguma matéria interessante, mas não estou com tempo de ler no momento a uso.
Sem dúvida depois dele eu voltei a ler bem mais pela praticidade: é mais simples colocá-lo na bolsa e levá-lo para viagens ou mesmo no dia-a-dia ler segurando-o enquanto estou numa fila. Imagine só segurar numa fila ou em pé no ônibus um exemplar de GOT. Acho até que este foi o maior ganho com ele: a possibilidade de ler em qualquer lugar, isso é claro por que eu não tenho medo de me roubarem ele, ao perceber que ele não é um tablet o interesse do ladrão some kkk
Porém é claro que continuo comprando livros físicos. Mesmo antes de compra-lo eu já tinha em mente que ele não os substituiria. Livros como A Metafísica de Aristóteles são essenciais na minha profissão, este eu PRECISO ter na versão física. Livros pelos quais sou apaixonada e são enormes tal como Os Miseráveis, também, quando me apaixono por um livro tenho que tê-lo na minha estante.
Mas o Kindle me possibilita comprar e ler livros como Os Diários de Carrie, Manual para sonhadores, Faça acontecer, Não se apega não a preços mais baixos, pois são livros que eu gostaria apenas de ler e não de ter na estante. Seria muito dispendioso, comprá-los, pagar frete, esperar pela entrega, começar a ler, me arrepender pela compra e deixa-lo pela metade só ocupando lugar na estante. Ao contrário disso, baixo uma amostra na Amazon, compro se gostar, leio e ele fica no meu dispositivo que tem espaço para milhares de livros. Ou então, como aconteceu com Os Diários de Carrie, deixo ele pela metade por que não gostei, lamento pelos 6 reais mas fico feliz de não ter pago os 30 que a versão física teria custado e apago ele.
O que nos leva a pergunta: livro digital é mais barato que físico? No geral, sim. Oitenta por cento dos e-books que comprei não custaram mais do 15 reais e principalmente entre os autores que publicam pela Amazon sempre rolam ótimas promoções, você consegue comprar vários deles por menos de 6 reais. E ao falar de autor eu publica pela Amazon, não posso deixar de lado o primeiro deles que eu li por conhecer o autor que foi aluno lá da escola, se você curte romance teen dá uma olhada no Só Agora do Vitor Emmanuell.       .
Mas livros de assuntos mais específicos e autores renomados em suas áreas costumam ter preços bem similares aos físicos, o que faz com que eu opte pela versão física a menos que precise com urgência. Por exemplo, ano passado iria participar de uma seleção e precisava de um livro com urgência, paguei 38 reais no e-book dele, a versão física estava 43 reais só que com o frete e a espera não compensaria.
Para quem é aluno da educação básica (ensino fundamental e médio) ter um Kindle é um enorme incentivo a leitura, uma vez que o Kindle Ilimited cobra 19,90 por mês e você tem acesso a milhares de livros e entre os títulos boa parte são livros que os jovens amam (sagas e afins). Mesmo que você não possa assinar este serviço tem muito e-book grátis e a um preço muy amigo.
Bom galerinha, a dica (f)útil de hoje é esta: deixe o preconceito de lado e compre um Kindle! Mas espere a promoção (lado mão de vaca aparecendo rsrs) quando a versão mais simples (de 299) fica por volta de 210 reais #ficaadica Abraço e até a próxima postagem ;)