Este ano passei pela primeira vez pela correria anterior ao ENEM com minhas turmas do 3º ano. Como é comum em muitas escolas, tentei fazer um aulão respondendo as questões de provas anteriores, algo que parecia bem simples se eu já tivesse com as questões preparadas. Como não estava perdi um bom tempo pesquisando as questões na internet, formatando e conferindo o gabarito. Decidi então juntar todas as questões e deixá-las já prontas para o ano que vem e, é claro, compartilhar com outros professores. Se você quer selecionar algumas e formatá-las é só copiar da postagem abaixo, mas se quer todas já formatadas é só clicar aqui: Questões ENEM.pdf
Ah, um super OBRIGADA a Ricardo Max, o amolador, por ter me ensinado como colocar as questões em pdf para baixar, abraço de urso Max ;)
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ENEM 2009
1) Na década de 30 do século XIX, Tocqueville escreveu as
seguintes linhas a respeito da moralidade nos EUA: “A opinião publica norte-americana e particularmente dura com a
falta de moral, pois esta desvia a atenção frente à busca do bem-estar e prejudica a harmonia domestica, que e tão
essencial ao sucesso dos negócios. Nesse sentido, pode-se dizer que ser casto e uma questão de honra”.
TOCQUEVILLE, A. Democracy
in America. Chicago: Encyclopædia Britannica, Inc., Great Books 44, 1990
(adaptado).
Do trecho, infere-se que, para Tocqueville, os norte-americanos
do seu tempo.
A) buscavam o êxito, descurando as virtudes cívicas.
B) tinham na vida moral uma garantia de enriquecimento rápido.
C) valorizavam um conceito de honra dissociado do comportamento
ético.
D) relacionavam a conduta moral dos indivíduos com o progresso econômico.
E) acreditavam que o comportamento casto perturbava a harmonia
domestica.
2) Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de
normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem
viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de vida são
desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores
os aspirantes a cidadania, pois o lazer e indispensável ao desenvolvimento das
qualidades morais e a pratica das atividades politicas”.
VAN ACKER, T. Grécia.
A vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.
O trecho, retirado da obra Politica, de Aristóteles, permite
compreender que a cidadania.
A) possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois e
condenável que os políticos de qualquer época fiquem entregues a ociosidade,
enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar.
B) era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais
superiores, fruto de uma concepção politica profundamente hierarquizada da
sociedade.
C) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção politica
democrática, que levava todos os habitantes da polis a participarem da vida cívica.
D) tinha profundas conexões com a justiça, razão pela qual o
tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado às atividades vinculadas aos
tribunais.
E) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita aqueles que
se dedicavam a politica e que tinham tempo para resolver os problemas da
cidade.
3) Para Caio Prado Jr., a formação brasileira se completaria no
momento em que fosse superada a nossa herança de organicidade social ― o oposto
da interligação com objetivos internos ― trazida da colônia. Este momento alto estaria,
ou esteve, no futuro. Se passarmos a Sergio Buarque de Holanda, encontraremos
algo análogo. O pais será moderno e estará formado quando superar a sua herança
portuguesa, rural e autoritária, quando então teríamos um pais democrático. Também
aqui o ponto de chegada esta mais adiante, na dependência das decisões do
presente. Celso Furtado, por seu turno, dirá que a nação não se completa
enquanto as alavancas do comando, principalmente do econômico, não passarem
para dentro dos pais. Como para os outros dois, a conclusão do processo
encontra-se no futuro, que agora parece remoto.
SCHWARZ, R. Os
sete fôlegos de um livro. Sequências brasileiras. São Paulo: Cia. das Letras,
1999 (adaptado).
Acerca das expectativas quanto à formação do Brasil, a sentença
que sintetiza os pontos de vista apresentados no texto e:
A) Brasil, uns pais que vai pra frente.
B) Brasil, a eterna esperança.
C) Brasil, gloria no passado, grandeza no presente.
D) Brasil, terra bela, pátria grande.
E) Brasil, gigante pela própria natureza.
ENEM 2010 1ª
Aplicação
1) A política foi, inicialmente, a arte de impedir as pessoas de
se ocuparem do que lhes diz respeito. Posteriormente, passou a ser a arte de
compelir as pessoas a decidirem sobre aquilo de que nada entendem.
VALÉRY, P.
Cadernos. Apud BENEVIDES, M. V. M. A cidadania ativa. São Paulo: Ática,
1996.
Nessa definição o autor entende que entende que a história da
política está dividida em dois momentos principais: um primeiro, marcado pelo
autoritarismo excludente, e um segundo, caracterizado por uma democracia
incompleta.
Considerando o texto, qual é o elemento comum a esses dois
momentos da história política?
A) A distribuição equilibrada do poder.
B) O impedimento da participação popular.
C) O controle das decisões por uma minoria.
D) A valorização das opiniões mais competentes.
E) A sistematização dos processos decisórios.
2) O príncipe, portanto, não deve se incomodar com a reputação de
cruel, se seu propósito é manter o povo unido e leal. De fato, com uns poucos
exemplos duros poderá ser mais clemente do que outros que, por muita piedade, permitem
os distúrbios que levem ao assassínio e ao roubo.
MAQUIAVEL, N. O
Príncipe. São Paulo: Martin Claret, 2009.
No século XVI, Maquiavel escreveu O Príncipe, reflexão sobre a
Monarquia e a função do governante. A manutenção da ordem social, segundo esse
autor, baseava-se na
A) inércia do julgamento de crimes polêmicos.
B) bondade em relação ao comportamento dos mercenários.
C) compaixão quanto à condenação dos servos.
D) neutralidade diante da condenação dos servos.
E) conveniência entre o poder tirânico e a moral do príncipe.
3) A lei não nasce da natureza, junto das fontes frequentadas
pelos primeiros pastores; a lei nasce das batalhas reais, das vitórias, dos
massacres, das conquistas que têm sua data e seus heróis de horror: a lei nasce
das cidades incendiadas, das terras devastadas; ela nasce com os famosos
inocentes que agonizam no dia que está amanhecendo.
FOUCAULT, M.
Aula de 14 de janeiro de 1976. In: Em defesa da sociedade. São Paulo:
Martins Fontes, 1999.
O filósofo Michel Foucault (séc. XX) inova ao pensar a política
e a lei em relação ao poder e à organização social. Com base na reflexão de
Foucault, a finalidade das leis na organização das sociedades modernas é
A) combater ações violentas na guerra entre as nações.
B) coagir e servir para refrear a agressividade humana.
C) criar limites entre a guerra e a paz praticadas entre os
indivíduos de uma mesma nação.
D) estabelecer princípios éticos que regulamentam as ações
bélicas entre países inimigos.
E) organizar as relações de poder na sociedade e entre os
Estados.
4) A ética precisa ser compreendida como um empreendimento
coletivo a ser constantemente retomado e rediscutido, porque é produto da
relação interpessoal e social. A ética supõe ainda que cada grupo social se
organize sentindo-se responsável por todos e que crie condições para o
exercício de um pensar e agir autônomos. A relação entre ética e política é
também uma questão de educação e luta pela soberania dos povos. É necessária
uma ética renovada, que se construa a partir da natureza dos valores sociais
para organizar também uma nova prática política.
CORDI et al. Para
filosofar. São Paulo: Scipione, 2007 (adaptado).
O Século XX teve de repensar a ética para enfrentar novos
problemas oriundos de diferentes crises sociais, conflitos ideológicos e
contradições da realidade. Sob esse enfoque e a partir do texto, a ética pode
ser compreendida como:
A) instrumento de garantia da cidadania, porque através dela os
cidadãos passam a pensar e agir de acordo com valores coletivos.
B) mecanismo de criação de direitos humanos, porque é da
natureza do homem ser ético e virtuoso.
C) meio para resolver os conflitos sociais no cenário da
globalização, pois a partir do entendimento do que é efetivamente a ética, a
política internacional se realiza.
D) parâmetro para assegurar o exercício político primando pelos
interesses e ação privada dos cidadãos.
E) aceitação de valores universais implícitos numa sociedade
que busca dimensionar sua vinculação a outras sociedades.
5)
QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
Democracia: “regime político no qual a soberania é exercida
pelo povo, pertence ao conjunto dos cidadãos.”
JAPIASSÚ, H.;
MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar,
2006.
Uma suposta “vacina” contra o despotismo, em um contexto
democrático, tem por objetivo
A) impedir a contratação de familiares para o serviço público.
B) reduzir a ação das instituições constitucionais.
C) combater a distribuição equilibrada de poder.
D) evitar a escolha de governantes autoritários.
E) restringir a atuação do Parlamento.
6) Na ética contemporânea, o sujeito não é mais um sujeito
substancial, soberano e absolutamente livre, nem um sujeito empírico puramente
natural. Ele é simultaneamente os dois, na medida em que é um sujeito
histórico-social. Assim, a ética adquire um dimensionamento político, uma vez
que a ação do sujeito não pode mais ser vista e avaliada fora da relação social
coletiva. Desse modo, a ética se entrelaça, necessariamente, com a política,
entendida esta como a área de avaliação dos valores que atravessam as relações
sociais e que interliga os indivíduos entre si.
SEVERINO, A. J. Filosofia.
São Paulo: Cortez, 1992 (adaptado).
O texto, ao evocar a dimensão histórica do processo de formação
da ética na sociedade contemporânea, ressalta
A) os conteúdos éticos decorrentes das ideologias
político-partidárias.
B) o valor da ação humana derivada de preceitos metafísicos.
C) a sistematização de valores desassociados da cultura.
D) o sentido coletivo e político das ações humanas individuais.
E) o julgamento da ação ética pelos políticos eleitos
democraticamente.
ENEM 2010 2ª
Aplicação
1) A ética exige um governo que amplie a igualdade entre os
cidadãos. Essa é a base da pátria. Sem ela, muitos indivíduos não se sentem
"em casa", experimentam-se como estrangeiros em seu próprio lugar de
nascimento.
SILVA, R. R.
Ética, defesa nacional, cooperação dos povos. OLIVEIRA, E. R. (Org.) Segurança
& Defesa Nacional: da competição à cooperação regional. São Paulo:
Fundação Memorial da América Latina, 2007 (adaptado).
Os pressupostos éticos são essenciais para a estruturação
política e integração de indivíduos em uma sociedade. De acordo com o texto, a
ética corresponde a
A) valores e costumes partilhados pela maioria da sociedade
B) preceitos normativos impostos pela coação das leis jurídicas
C) normas determinadas pelo governo, diferentes das leis
estrangeiras
D) transferência dos valores praticados em casa para a esfera
social
E) proibição da interferência de estrangeiros em nossa pátria
2) Na antiga Grécia, o teatro tratou de questões como destino,
castigo e justiça. Muitos gregos sabiam de cor inúmeros versos das peças dos
seus grandes autores. Na Inglaterra dos séculos XVI e XVII, Shakespeare
produziu peças nas quais temas como o amor, o poder, o bem e o mal foram tratados.
Nessas peças, os grandes personagens falavam em verso e os demais em prosa. No
Brasil colonial, os índios aprenderam com os jesuítas a representar peças de
caráter religioso.
Esses fatos são exemplos de que, em diferentes tempos e
situações, o teatro é uma forma
A) de manipulação do povo pelo poder, que controla o teatro.
B) de diversão e de expressão dos valores e problemas da
sociedade.
C) de entretenimento popular, que se esgota na sua função de
distrair.
D) de manipulação do povo pelos intelectuais que compõem as
peças.
E) de entretenimento, que foi superada e hoje é substituída
pela televisão.
3) Quando Édipo nasceu, seus pais, Laio e Jocasta, os reis de
Tebas, foram informados de uma profecia na qual o filho mataria o pai e se
casaria com a mãe. Para evita-la, ordenaram a um criado que matasse o menino.
Porém, penalizado com a sorte de Édipo, ele o entregou a um casal de camponeses
que morava longe de Tebas para que o criasse. Édipo soube da profecia quando se
tornou adulto. Saiu então da casa de seus pais para evitar a tragédia. Eis que,
perambulando pelos caminhos da Grécia, encontrou-se com Laio e seu séquito, que,
insolentemente, ordenou que saísse da estrada. Édipo reagiu e matou todos os
integrantes do grupo, sem saber que entre eles estava seu verdadeiro pai.
Continuou a viagem até chegar a Tebas, dominada por uma Esfinge. Ele decifrou o
enigma da Esfinge, tornou-se rei de Tebas e casou-se com a rainha, Jocasta, a
mãe que desconhecia.
Disponível em:
http://www.culturabrasil.org. Acesso em 28 ago. 2010 (adaptado).
No mito Édipo Rei, são dignos de destaque os temas do destino e
do determinismo. Ambos são características do mito grego e abordam a relação
entre liberdade humana e providência divina. A expressão filosófica que toma
como pressuposta a tese do determinismo é:
A) "Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu
tinha de mim mesmo." Jean Paul Sartre
B) "Ter fé é assinar uma folha em branco e deixar que Deus
nela escreva o que quiser." Santo Agostinho
C) "Quem não tem medo da vida também não tem medo da
morte." Arthur Schopenhauer
D) "Não me pergunte quem sou eu e não me diga para
permanecer o mesmo." Michel Foucault
E) "O homem, em seu orgulho, criou a Deus a sua imagem e
semelhança." Friedrich Nietzsche
ENEM 2011
1) O brasileiro tem noção clara dos comportamentos éticos e
morais adequados, mas vive sob o espectro da corrupção, revela pesquisa. Se o
país fosse resultado dos padrões morais que as pessoas dizem aprovar, pareceria
mais com a Escandinávia do que com Bruzundanga (corrompida nação fictícia de
Lima Barreto).
FRAGA, P. Ninguém
é inocente. Folha de S. Paulo. 4 out. 2009 (adaptado).
O distanciamento entre “reconhecer” e “cumprir” efetivamente o
que é moral constitui uma ambiguidade inerente ao humano, porque as normas
morais são
A) decorrentes da vontade divina e, por esse motivo, utópicas.
B) parâmetros idealizados, cujo cumprimento é destituído de
obrigação.
C) amplas e vão além da capacidade de o indivíduo conseguir
cumpri-las integralmente.
D) criadas pelo homem, que concede a si mesmo a lei à qual deve
se submeter.
E) cumpridas por aqueles que se dedicam inteiramente a observar
as normas jurídicas.
2) Acompanhando a intenção da burguesia renascentista de ampliar
seu domínio sobre a natureza e sobre o espaço geográfico, através da pesquisa
científica e da invenção tecnológica, os cientistas também iriam se atirar
nessa aventura, tentando conquistar a forma, o movimento, o espaço, a luz, a
cor e mesmo a expressão e o sentimento.
SEVCENKO, N. O
Renascimento. Campinas: Unicamp, 1984.
O texto apresenta um espírito de época que afetou também a
produção artística, marcada pela constante relação entre
A) fé e misticismo.
B) ciência e arte.
C) cultura e comércio.
D) política e economia.
E) astronomia e religião.
2012
1) Na regulação de matérias culturalmente
delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação
pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do
direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos
chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes
ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas
pública e privada – em tudo isso reflete-se amiúde apenas o auto entendimento
ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos.
Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma
comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para
todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas
contra a cultura da maioria.
HABERMAS, J. A
inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002.
A reivindicação
dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo
nas democracias contemporâneas, na medida em que
A) a secessão,
pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na condição da
sua concentração espacial, num tipo de independência nacional.
B) a
reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes comunidades
étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de uma
cultura política nacional.
C) a
coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de auto
entendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão vinculados
à coerção do melhor argumento.
D) a autonomia
dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições de se libertar
das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional.
E) o
desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou
distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser
compartilhada.
2)
Na França, o rei
Luís XIV teve sua imagem fabricada por um conjunto de estratégias que visavam
sedimentar uma determinada noção de soberania. Neste sentido, a charge
apresentada demonstra
A) a humanidade
do rei, pois retrata um homem comum, sem os adornos próprios à vestimenta real.
B) a unidade
entre o público e o privado, pois a figura do rei com a vestimenta real
representa o público e sem a vestimenta real, o privado.
C) o vínculo
entre monarquia e povo, pois leva ao conhecimento do público a figura de um rei
despretensioso e distante do poder político.
D) o gosto
estético refinado do rei, pois evidencia a elegância dos trajes reais em relação
aos de outros membros da corte.
E) a importância
da vestimenta para a constituição simbólica do rei, pois o corpo político
adornado esconde os defeitos do corpo pessoal.
3) Esclarecimento é a saída do homem de
sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a
incapacidade de
fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio
culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de
entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a
direção de outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é
o lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma
tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de
uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado menores durante toda
a vida.
KANT, I. Resposta
à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).
Kant destaca no
texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a compreensão do contexto
filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no sentido empregado por Kant,
representa:
A) a
reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade.
B) o exercício
da racionalidade como pressuposto menor diante das verdades eternas.
C) a imposição
de verdades matemáticas, como caráter objetivo, de forma heterônoma.
D) a compreensão
de verdades religiosas que libertam o homem da falta de entendimento.
E) a emancipação
da subjetividade humana de ideologias produzidas pela própria razão.
4) É verdade que nas democracias o povo
parece fazer o que quer; mas a liberdade política não consiste nisso. Deve-se ter
sempre presente em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade
é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer
tudo o que elas proíbem, não teria mais liberdade, porque os outros também
teriam tal poder.
MONTESQUIEU. Do
Espirito das Leis. São Paulo: Editora Nova Cultural, 1997 (adaptado).
A característica
de democracia ressaltada por Montesquieu diz respeito
A) ao status de
cidadania que o indivíduo adquire ao tomar as decisões por si mesmo.
B) ao
condicionamento da liberdade dos cidadãos à conformidade às leis.
C) à
possibilidade de o cidadão participar no poder e, nesse caso, livre da
submissão às leis.
D) ao
livre-arbítrio do cidadão em relação àquilo que é proibido, desde que ciente
das consequências.
E) ao direito do
cidadão exercer sua vontade de acordo com seus valores pessoais.
5) Para Platão, o que havia de verdadeiro
em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e
não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional
e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do
segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua
mente.
ZINGANO, M. Platão
e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado).
O texto faz
referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina
das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se
situa diante dessa relação?
A) Estabelecendo
um abismo intransponível entre as duas.
B) Privilegiando
os sentidos e subordinando o conhecimento a eles.
C) Atendo-se à
posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis.
D) Afirmando que
a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não.
E) Rejeitando a
posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão.
6) TEXTO I
Anaxímenes de
Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e
existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se
dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As
nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se
em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando
condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras.
BURNET, J. A
aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).
TEXTO II
Basílio Magno,
filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no
princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em
face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os
quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os
Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão impressão de
quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.”
GILSON, E.:
BOEHNER, P. Historia da Filosofia Crista. São Paulo: Vozes, 1991
(adaptado).
Filósofos dos
diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do
universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo
grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua
fundamentação teorias que
A) eram baseadas
nas ciências da natureza.
B) refutavam as
teorias de filósofos da religião.
C) tinham origem
nos mitos das civilizações antigas.
D) postulavam um
princípio originário para o mundo.
E) defendiam que
Deus é o princípio de todas as coisas.
7) TEXTO I
Experimentei
algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar
inteiramente em quem já nos enganou uma vez.
DESCARTES, R. Meditações
Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
TEXTO II
Sempre que
alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum
significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta
ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso
servirá para confirmar nossa suspeita.
HUME, D. Uma
investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).
Nos textos,
ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A
comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume
A) defendem os
sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo.
B) entendem que
é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e
crítica.
C) são legítimos
representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento.
D) concordam que
conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos.
E) atribuem
diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do
conhecimento.
8) Não ignoro a opinião antiga e muito
difundida de que o que acontece no mundo é decidido por Deus e pelo acaso. Essa
opinião é muito aceita em nossos dias, devido às grandes transformações
ocorridas, e que ocorrem diariamente, as quais escapam à conjectura humana. Não
obstante, para não ignorar inteiramente o nosso livre-arbítrio, creio que se pode
aceitar que a sorte decida metade dos nossos atos, mas [o livre-arbítrio] nos
permite o controle sobre a outra metade.
MAQUIAVEL, N. O
Príncipe. Brasília: EdUnB, 1979 (adaptado).
Em O Príncipe,
Maquiavel refletiu sobre o exercício do poder em seu tempo. No trecho citado, o
autor demonstra o vínculo entre o seu pensamento político e o humanismo
renascentista ao
A) valorizar a
interferência divina nos acontecimentos definidores do seu tempo.
B) rejeitar a
intervenção do acaso nos processos políticos.
C) afirmar a
confiança na razão autônoma como fundamento da ação humana.
D) romper com a
tradição que valorizava o passado como fonte de aprendizagem.
E) redefinir a
ação política com base na unidade entre fé e razão.
ENEM 2013
1) Para que não haja abuso, é preciso
organizar as coisas de maneira que o poder seja contido pelo poder. Tudo
estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais, ou dos
nobres, ou do povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de
executar as resoluções públicas e o de julgar os crimes ou as divergências dos
indivíduos. Assim, criam-se os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário,
atuando de forma independente para a efetivação da liberdade, sendo que esta
não existe se uma mesma pessoa ou grupo exercer os referidos poderes
concomitantemente.
MONTESQUIEU, B. Do
Espírito das Leis. São Paulo: Abril Cultural, 1979 (adaptado).
A divisão e a
independência entre os poderes são condições necessárias para que possa haver
liberdade em um Estado. Isso pode ocorrer apenas sob um modelo político em que
haja
A) exercício de
tutela sobre atividades jurídicas e políticas.
B) consagração
do poder político pela autoridade religiosa.
C) concentração
do poder nas mãos de elites técnico-científicas.
D)
estabelecimento de limites aos atores públicos e às instituições do governo.
E) reunião das
funções de legislar, julgar e executar nas mãos de um governo eleito.
2) Nasce daqui uma questão: se vale mais
ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas
seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido
que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens que se pode
dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e
ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o
sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está
longe; mas quando ele chega, revoltam-se.
MAQUIAVEL, N. O
Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991.
A partir da
análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e políticas,
Maquiavel define o homem como um ser
A) munido de
virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros.
B) possuidor de
fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política.
C) guiado por
interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes.
D) naturalmente
racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais.
E) sociável por
natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares.
3) A felicidade é, portanto, a melhor, a
mais nobre e a mais aprazível coisa do mundo, e esses atributos não devem estar
separados como na inscrição existente em Delfos “das coisas, a mais nobre é a
mais justa, e a melhor é a saúde; porém a mais doce é ter o que amamos”. Todos
estes atributos estão presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a
melhor, nós a identificamos como felicidade.
ARISTÓTELES. A
Política. São Paulo: Cia. Das Letras, 2010.
Ao reconhecer na
felicidade a reunião dos mais excelentes atributos, Aristóteles a identifica
como
A) busca por
bens materiais e títulos de nobreza.
B) plenitude
espiritual e ascese pessoal.
C) finalidade
das ações e condutas humanas.
D) conhecimento
de verdades imutáveis e perfeitas.
E) expressão do
sucesso individual e reconhecimento público.
4) Na produção social que os homens
realizam, eles entram em determinadas relações indispensáveis e independentes de
sua vontade; tais relações de produção correspondem a um estágio definido de desenvolvimento
das suas forças materiais de produção. A totalidade dessas relações constitui a
estrutura econômica da sociedade – fundamento real, sobre o qual se erguem as
superestruturas política e jurídica, e ao qual correspondem determinadas formas
de consciência social.
MARX, K.
Prefácio à Crítica
da economia política. In: MARX, K.; ENGELS, F. Textos 3. São Paulo:
Edições Sociais, 1977 (adaptado).
Para o autor, a
relação entre economia e política estabelecida no sistema capitalista faz com
que
A) o
proletariado seja contemplado pelo processo de mais-valia.
B) o trabalho se
constitua como o fundamento real da produção material.
C) a
consolidação das forças produtivas seja compatível com o progresso humano.
D) a autonomia
da sociedade civil seja proporcional ao desenvolvimento econômico.
E) a burguesia
revolucione o processo social de formação da consciência de classe.
5) TEXTO I
Há já algum
tempo eu me aprecebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas
opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios
tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário
tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a
que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um
saber firme e inabalável.
DESCARTES, R. Meditações
concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973
(adaptado).
TEXTO II
É o caráter
radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de
busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer
a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será
seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma
dúvida.
SILVA, F. L. Descartes:
a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
A exposição e a
análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução
radical do conhecimento, deve-se
A) retomar o
método da tradição para edificar a ciência com legitimidade.
B) questionar de
forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções.
C) investigar os
conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos.
D) buscar uma
via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados.
E) encontrar
ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados.
6) Até hoje admitia-se que nosso
conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir,
mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com
esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão
melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular
pelo nosso conhecimento.
KANT, I. Crítica
da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).
O trecho em
questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na
filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
A) assumem
pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.
B) defendem que
o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
C) revelam a
relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão
filosófica.
D) apostam, no
que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos
objetos.
E) refutam-se
mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por
Kant.
7) Os produtos e seu consumo constituem a
meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela
primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia
dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa
anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo,
não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da
aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e
culturalmente.
CUPANI, A. A
tecnologia como problema filosófico: três enfoques. Scientiae Studia, São
Paulo, v. 2, n. 4, 2004 (adaptado).
Autores da
filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista
concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das
intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em
A) expor a
essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda
existentes.
B) oferecer a
última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi
da filosofia.
C) ser a
expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o
progresso.
D) explicitar as
leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos
e religiosos.
E) explicar a
dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates
acadêmicos.
ENEM 2014
1) É o caráter radical
do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se
todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir
daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será
seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma
dúvida.
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São
Paulo: Moderna, 2001 (adaptado).
Apesar
de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia
cartesiana tem caráter positivo por contribuir para o(a)
A)
dissolução do saber científico.
B)
recuperação dos antigos juízos.
C)
exaltação do pensamento clássico.
D)
surgimento do conhecimento inabalável.
E)
fortalecimento dos preconceitos religiosos.
2) Compreende-se
assim o alcance de uma reivindicação que surge desde o nascimento da cidade na
Grécia antiga: a redação das leis. Ao escrevê-las, não se faz mais do
assegurar-lhes permanência e fixidez. As leis tornam-se bem comum, regra geral,
suscetível de ser aplicada a todos da mesma maneira.
VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 1992 (adaptado).
Para
o autor, a reivindicação atendida na Grécia antiga, ainda vigente no mundo contemporâneo,
buscava garantir o seguinte princípio:
A)
Isonomia — igualdade de tratamento aos cidadãos.
B)
Transparência — acesso às informações governamentais.
C)
Tripartição — separação entre os poderes políticos estatais.
D)
Equiparação — igualdade de gênero na participação política.
E)
Elegibilidade — permissão para candidatura aos cargos públicos.
3) Uma
norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por
ela cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático,
a um acordo quanto à validade dessa norma.
HABERMAS, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio
de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
Segundo Habermas, a
validez de uma norma deve ser estabelecida pelo(a)
A)
liberdade humana, que consagra a vontade.
B)
razão comunicativa, que requer um consenso.
C)
conhecimento filosófico, que expressa a verdade.
D)
técnica científica, que aumenta o poder do homem.
E)
poder político, que se concentra no sistema partidário.
4) TEXTO I
Olhamos
o homem alheio às atividades públicas não como alguém que cuida apenas de seus
próprios interesses, mas como um inútil; nós, cidadãos atenienses, decidimos as
questões públicas por nós mesmos na crença de que não é o debate que é
empecilho à ação, e sim o fato de não se estar esclarecido pelo debate antes de
chegar a hora da ação.
TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso. Brasília:
UnB, 1987 (adaptado).
TEXTO
II
Um cidadão integral
pode ser definido por nada menos que pelo direito de administrar justiça e
exercer
funções públicas; algumas destas, todavia, são limitadas quanto ao tempo de
exercício, de tal modo que não podem de forma alguma ser exercidas duas vezes pela
mesma pessoa, ou somente podem sê-lo depois de certos intervalos de tempo
prefixados.
ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB, 1985.
Comparando
os textos I e II, tanto para Tucídides (no século V a.C.) quanto para Aristóteles
(no século IV a.C.), a cidadania é definida pelo (a)
A)
prestígio social.
B)
acúmulo de riqueza.
C)
participação política.
D)
local de nascimento.
E)
grupo de parentesco.
5) Alguns dos desejos
são naturais e necessários; outros, naturais e não necessários; outros, nem naturais
nem necessários, mas nascidos de vã opinião. Os desejos que não nos trazem dor
se não satisfeitos não são necessários, mas o seu impulso pode ser facilmente
desfeito, quando é difícil obter sua satisfação ou parecem geradores de dano.
EPICURO DE SAMOS. Doutrinas principais. In: SANSON, V. F. Textos
de filosofia. Rio de Janeiro: Eduff, 1974.
No
fragmento da obra filosófica de Epicuro, o homem tem como fim:
A)
alcançar o prazer moderado e a felicidade.
B)
valorizar os deveres e as obrigações sociais.
C)
aceitar o sofrimento e o rigorismo da vida com
resignação.
D)
refletir sobre os valores e as normas dadas pela divindade.
E)
defender a indiferença e a impossibilidade de se atingir o saber.
6)
SANZIO, R. Detalhe do afresco A Escola de Atenas.
Disponível em: http //fil.cfh..ufsc.br. Acesso em: 20 mar. 2013.
No
centro da imagem o filósofo Platão é retratado apontando para cima. Esse gesto
significa que conhecimento se encontra em uma instância na qual o homem
descobre a
A)
suspensão do juízo como reveladora da verdade.
B)
realidade inteligível por meio do método dialético.
C)
salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
D)
essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
E)
ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.
7) A filosofia
encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos
olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua
e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua
matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras
geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem
eles, vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto.
GALILEI, G. O ensaiador. Os pensadores. São Paulo: Abril
Cultural, 1978.
No
contexto da Revolução Científica do século XVII assumir a posição de Galileu
significava defender a
A)
continuidade do vínculo entre ciência e fé dominante na Idade Média.
B)
necessidade de o estudo linguístico ser acompanhado do exame matemático.
C)
oposição da nova física quantitativa aos pressupostos da filosofia escolástica.
D)
importância da independência da investigação científica pretendida pela igreja.
E)
inadequação da matemática para elaborar uma explicação racional da natureza.
ENEM 2015
1) Trasímaco estava
impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo
real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam
no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da
sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas.
RACHELS, J. Problemas da
filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009.
A
República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é
resultado de
A)
determinações biológicas impregnadas na natureza humana.
B)
verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais.
C)
mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas.
D)
convenções sociais resultantes de interesses
humanos
contingentes.
E)
sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas.
2) Todo o poder
criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar
ou diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência. Quando
pensamos em uma montanha de ouro, não fazemos mais do que juntar duas ideias consistentes,
ouro e montanha, que já conhecíamos. Podemos conceber um cavalo virtuoso,
porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nossos próprios sentimentos,
e podemos unir isso a figura e a forma de
um cavalo, animal que nos é familiar.
HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São
Paulo: Abril Cultural, 1995.
Hume
estabelece um vínculo entre pensamento e
impressão
ao considerar que
A)
os conteúdos das ideias no intelecto têm origem na
sensação.
B)
o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível.
C)
as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso.
D)
os sentimentos ordenam como os pensamentos
devem
ser processados na memória.
E)
as ideias tem como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos na
empiria.
3) A natureza fez os
homens tão iguais, quanto às
faculdades
do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre um homem
manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro,
mesmo assim, quando se considera tudo isto em conjunto, a diferença entre um e
outro homem não é suficientemente considerável para que um deles possa com base
nela reclamar algum benefício a que outro não possa igualmente aspirar.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
Para
Hobbes, antes da constituição da sociedade civil, quando dois homens desejavam
o mesmo objeto, eles
A)
entravam em conflito.
B)
recorriam aos clérigos.
C)
consultavam os anciãos.
D)
apelavam aos governantes.
E)
exerciam a solidariedade.
4) Ora em todas as
coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se
atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos
lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim de destino, se
por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim
para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os
homens de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos
esforços e ações humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente
para o fim.
AQUINO, T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos
políticos de São Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado).
No
trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo
capaz de
A)
refrear os movimentos religiosos contestatórios.
B)
promover a atuação da sociedade civil na vida política.
C)
unir a sociedade tendo em vista a realização do
bem
comum.
D)
reformar a religião por meio do retorno à tradição
helenística.
E)
dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual.
5) A filosofia grega
parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a
matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e leva-la a
sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição
enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem
imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar por que nela, embora apenas em
estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um.
NIETZSCHE, F. Crítica moderna. In: Os pré-socráticos. São
Paulo: Nova Cultural, 1999.
O
que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os
gregos?
A)
O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em
verdades racionais.
B)
O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas.
C)
A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas
existentes.
D)
A ambição de expor, de maneira metódica, as
diferenças
entre as coisas.
E)
A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no
real.
6) Ninguém nasce mulher:
torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que
a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que
elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o
feminino.
BEAUVOIR, S. O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1980.
Na
década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar
um movimento social que teve como marca o(a)
A)
ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.
B)
pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho.
C)
organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.
D)
oposição de grupos religiosos para impedir os
casamentos
homoafetivos.
E)
estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.












PROFESSORA, VOCÊ PODERIA POSTAR OS GABARITOS? OBRIGADA.
ResponderExcluirPROFESSORA, PODERIA NOS PASSAR O GABARITO. AGRADEÇO MUITO.
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