Ao fazer meu planejamento anual, principalmente para o 1º ano do ensino médio, ao listar o nome de grandes filósofos que são um tanto quanto “pop” sinto arrepios. É o medo de não conseguir ensiná-los com o rigor que eles merecem. Minha preocupação com isso ficou ainda maior ao encontrar alunos no 3º ano que não compreendem sequer o sentido epistemológico do Mito da Caverna.
Atualmente estou trabalhando com as turmas do 1º ano Sócrates e comparando minhas aulas do ano passado com as atuais pude perceber uma melhora na clareza e no modo geral de como o ensino. Ano passado, assim como este ano, dediquei uma unidade temática (conjunto de aulas sobre o mesmo tema/filósofo) só para este autor e neste ano caí no erro de usar o mesmo material, erro que explicarei melhor em uma outra postagem. Fiz apenas algumas alterações quanto ao tamanho dos textos selecionados e as atividades para cada aula.
No decorrer das aulas anteriores, porém parei para refletir sobre minhas aulas do ano passado e percebi que muito do que é essencial para compreender Sócrates ficou de fora. Só para citar como exemplo: a forma como sua vida está totalmente ligada a sua forma de filosofar, como a maiêutica influenciaria Platão a escrever na forma de diálogos, entre outros. Outro problema, este bem maior pois é algo que diz respeito ao meu modo de ensinar, é que considero que ainda ensino de uma forma que não abre muito espaço para problematização, estranho né? Dar aulas de filosofia e abrir pouco espaço para uma das coisas mais importantes para ela.
Já que eu não tinha como alterar os textos que usaríamos na sala de aula este ano (caí na besteira de passar uma apostila que serviria para todo o primeiro semestre), o jeito foi ir incluindo nas aulas já planejadas um espaço para explicar aquilo que o material tinha deixado de fora. Na primeira aula da unidade temática (deixarei aqui com o marcador “materiais”) que aborda uma das frases de Sócrates mais interpretadas erroneamente Só sei que nada sei, passei a abordar também a maiêutica.
A forma para inserir isto foi bem simples: fiz uma experiência em sala de aula na qual tentei agir como Sócrates, isso óbvio sem me fantasiar dele rs, perguntando aos alunos o que eles acreditavam ser a justiça e daí progredindo para as outras etapas do método socrático. O incrível é que Emerson, meu platônico favorito, tinha me sugerido isto desde o ano passado, mas como não sou boa em improviso e muito disso seria imprevisível, não testei isso no ano passado. Uma pena, pois os resultados foram muito positivos; senti que os alunos compreenderam de forma mais fácil por esta experiência simples o que era o tal parto de ideias e como Sócrates o fazia. Se você estiver lendo isto: MUITO OBRIGADA Emerson.
Perceber que estou melhorando na sala de aula e também no modo como eu enxergo minha prática e ajo sobre ela me deixa muito feliz, sinto que estou evoluindo e me tornando uma professora, de forma geral, melhor. Só não fico mais feliz por que ainda posso estar errada: atribuindo aos alunos um entendimento do conteúdo que talvez não esteja lá. É comum perguntar: entenderam? Ficou claro? E eles responderem que sim e na hora da avaliação perceber que estavam mentindo... Se você é meu aluno e  está lendo isto perceba o quanto é importante para mim que você não minta quando responde a estas perguntas ;)
Ainda assim, vou curtir essa sensação até a hora da avaliação e, caso ela seja enganosa, aí eu reflito novamente e encontro soluções. Nos vemos na próxima aula. Ops, postagem!


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