Mesmo com tudo isso preparado não me sentia segura e de mãos dadas com minha ansiedade a insegurança me deixou acordada até a madrugada, período que aproveitei para criar um esquema (sou viciada neles) do “roteiro” que seguiria durante a aula. Durante a madrugada, outro sentimento veio dividir e roubar o espaço: a alegria! Eu mal podia acreditar que no dia seguinte eu estaria conhecendo as MINHAS TURMAS \O/ Que enfim eu estaria no lugar que me sonhei e me preparei para estar: a sala de aula.
Minha trilha sonora naquela madrugada foi o refrão de uma música que uso pra falar da minha relação com a sala de aula:
“É amor, é tanto amor que eu sinto este momento (...)
É amor, felicidade transbordando em mim... (...)
Chegou o dia em que meu coração, tá daquele jeito...
Dá pra ver, vai ferver, bateu a sintonia
É tempo de alegria e tão bom dividir com você”
Gosto dessa música por que ela mostra a paixão que a Ivete sente por sua profissão e é justamente por expressar amor ao que se faz que ela era, e ainda é, minha trilha sonora ao pensar sobre minha profissão. E assim, cantando até adormecer às 4 da manhã, que acordei as 6 do dia seguinte com olheiras enormes. Mas nada que a maquiagem caprichada não disfarçasse, fui passar a blusa e com toda minha habilidade para tarefas domésticas... Queimei-a :D Sorte que tinha levado a segunda opção.
Devido ao tempo me maquiando e queimando a blusa, tive que entrar correndo na escola (sorte que corro bem mesmo de salto) para não me atrasar ainda mais. Ao passar pelo pátio de entrada correndo ouço uma aluna gritar: “Olha pra’quela deboxxxxaaada! (depois disso até eu queri ver quem era a tal) Veio pra escola de salto e maquiada, que ridícula!”... Pausa dramática. Sim, ela estava falando comigo. Deu vontade de parar e falar: mais respeito, posso ser sua professora; sim, eu sou professora! Mas eu era a professora: tinha que ser madura e entrar logo pra não causar má impressão.
Minha primeira aula (única daquele dia que eu lembro com exatidão) era numa turma que depois se tornaria minha turma favorita da manhã: o 1º D. Lembro que entrei meio tremendo e pedindo que eles entrassem, pois a professora estava lá e começaria a aula naquele momento. Eles demoraram um pouco a entrar e entraram meio surpresos, u não correspondia (e não ainda correspondo com minha cara de adolescente rs) a imagem tradicional de uma professora. Quando eles se sentaram a surpresa: devia ter pelo menos uns 45 alunos ali.
Perguntei a uma garota de óculos sentada na primeira fila, Mariana <3, quantos eles eram, ela me disse: 52, perguntei se eles nunca faltavam, ela respondeu sorrindo que era raro. Respirei fundo e comecei a explicar que era a professora nova, que tinha me formado naquele ano e passado no concurso para professora de Filosofia e por isso seria a professora deles até o resto do ano, esqueci de contar estávamos em Julho. Fui um pouco mais formal do que o normal para mim, em parte para não demostrar o nervosismo, em parte para deixar claro que apesar de parecer um deles estava ali como professora.
Naquele dia a pergunta que mais ouvi não foi “Você acredita em Deus”, “Fez Filosofia, é doida?” ou “Já fumou maconha?”, talvez por isso tenha gostado tanto deste meu primeiro dia de aula rs. Estranhamente e contra qualquer expectativa minha foi “Quantos você tem?” E a música da Ivete, que antes só expressava mina expectativa de gostar de estar em sala de aula, acabou se concretizando: me apaixonei a primeira aula por estar em sala de aula como professora.
Nos vemos na próxima aula. Ops, postagem!


4 Comentários

  1. Respostas
    1. kkk um aluno, não sei se foi você, me fez esta pergunta eu respondi calmamente que não, na verdade eu gostava de enfeitar a lousa com minhas letras kkk Ele achou que era um fora :(

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