A aula abaixo foi planejada por mim de acordo com a metodologia RODRIGO 2010, desenvolvida por Lidia Maria Rodrigo e apresentada em seu livro "Filosofia em sala de aula: teoria e prática para o ensino médio". Ela é direcionada ao 1º ano do nível médio. Se você é professor e quer usá-la fique a vontade, a proposta é minha mas a partir do momento em que você a usa "imprime" nela seu estilo de dar aula. Peço apenas para que cite a fonte e que me conte depois como foi: se os alunos gostaram, se teve que alterar algo, etc assim poderei ir melhorando-a ;)

Texto didático I

“Quem é?
Sócrates (c. 470-399 a.C.) nasceu e viveu em Atenas, Grécia. Filho de um escultor e de uma parteira, Sócrates conhecia a doutrina dos filósofos que o antecederam e de seus contemporâneos. Discutia em praça pública sem nada cobrar. Não deixou livros, por isso conhecemos suas ideias por meio de seus discípulos, sobretudo Platão e Xenofonte. Acusado de corromper a mocidade e negar os deuses oficiais da cidade, foi condenado à morte. Esses acontecimentos finais são relatados no diálogo de Platão, Defesa de Sócrates. Em outra obra de Platão, Fédon, Sócrates discute com os discípulos sobre a imortalidade da alma, enquanto aguarda o momento de beber a cicuta. Na maioria dos diálogos platônicos, Sócrates é o protagonista.”
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2013. p. 19.

Trecho de texto filosófico
“Sócrates: Ora, podemos conhecer a arte de melhorar a qualidade dos calçados, se não conhecêssemos os sapatos?
Alcebíades: Impossível.
Sócrates: E assim, tampouco a arte de aprimorar a feitura dos anéis, se não conhecêssemos o anel.
Alcebíades: Verdade.
Sócrates: Por acaso é fácil conhecer a si mesmo- e quem inscreveu essas palavras no templo de Delfos é um tolo- ou, ao contrário, é uma coisa difícil, não acessível a todos?
Alcebíades: Por vezes me pareceu uma coisa acessível a todos; outras vezes ao contrário, uma tarefa muito difícil.
Sócrates: Bem, Alcebíades, pode ser fácil ou não, mas para nós o problema se coloca assim: se conhecessem a nós mesmos, também conheceremos, talvez, os cuidados que devemos ter para conosco; senão, não os conheceremos jamais.
Alcebíades: É assim.
Sócrates: Dize-me, então: de que modo é possível saber no que consiste o si mesmo? Porque, assim, talvez pudéssemos descobrir o que somos nós, mas sem saber a primeira coisa certamente será impossível descobrir a segunda... Portanto, o que é o homem?
Alcebíades: Eu não sei.
Sócrates: No entanto, sabes ao menos que é alguma coisa que se serve o corpo.
Alcebíades: Sim.
Sócrates: O mais se serve do corpo, senão a alma...? Portanto, aquele que nos insta a conhecer a nós mesmos nos obriga a conhecer a nossa alma.
Alcebíades: Assim parece.
Sócrates: De que maneira poderíamos conhecer o mais claramente possível a nossa alma? Posto que, por meio desse conhecimento, poderíamos evidentemente conhecer melhor a nós mesmos. Pelos deuses! Compreendemos bem o justo conselho da inscrição délfica ora lembrada?
Alcebíades: O que pretendes Sócrates?
Sócrates: Eu te direi o que eu desconfio que essa inscrição quer nos aconselhar. Porque ara entende-la não existem muitos exemplos, exceto esse único, que fala da visão.
Alcebíades: O que queres dizer com isso?
Sócrates: Reflete também. Se a inscrição aconselhasse o olho como aconselha o homem, dizendo olha-te a ti mesmo, de que modo e sobre o que pensaríamos que quer no aconselhar? Não seria talvez a olhar para alguma coisa olhando aquela em que o olho tivesse condições de ver a si mesmo?
Alcebíades: Certo.
Sócrates: Eis pois: indaguemos qual é o objeto em que, ao olhá-lo, podemos ver a nós mesmos.
Alcebíades: É claro, Sócrates, os espelhos e os objetos semelhantes.
Sócrates: Exatamente. Mas não existiria também no olho uma característica pela qual vemos algo do mesmo gênero?
Alcebíades: Certamente.
Sócrates: Então observaste que olhando alguém nos olhos percebe-se o vulto no olho de quem está diante de ti, como em um espelho, que nós chamamos de pupila, porque é quase uma imagem daquele que olha?
Alcebíades: É verdade.
Sócrates: Portanto, e um olho olha outro e fixa a parte melhor do olho, com a qual também se vê, verá a si mesmo?
Alcebíades: Evidentemente.
Sócrates: Mas se o olho olha uma outra parte do corpo humano, fora a que tem a sua mesma natureza, ou objetos, não verá a si mesmo.
Alcebíades: É verdade.
Sócrates: Então, se um olho quer ver a si mesmo é preciso que fite um olho, e aquela parte deste em que se encontra o atributo visual. E não é esta a vista?
Alcebíades: Sim.
Sócrates: Assim, caro Alcebíades, a alma também, se quiser conhecer a si mesma, deverá fitar uma alma- e principalmente aquela parte dela em que se encontra o atributo da Alma, a sabedoria- e olhar outro ao qual esta parte se assemelha?
Alcebíades: Creio que sim, Sócrates.
Sócrates: Nós podemos indicar uma parte da alma que seja mais divina do que aquela em que moram o conhecimento e o pensamento?
Alcebíades: Não podemos.
Sócrates: Essa parte da alma é semelhante ao divino, intelecto e pensamento, e tem-se a melhor possibilidade de conhecer a si mesmo, da melhor maneira.”
Referência: PLATÃO. Alcebíades I. IN: NICOLA, Ubaldo. Antologia ilustrada de Filosofia- das origens à idade moderna. São Paulo: Editora Globo, 2002.

Atividade Avaliativa
1. Em grupos de cinco, façam um resumo do diálogo entre Sócrates e Alcebíades, para facilitar usem o seguinte roteiro:
O que é o homem?
Como podemos conhecer nossa alma?
Qual o objetivo de conhecermos a nós mesmos?

Sugestão de dinâmica
Peça para os alunos formarem duplas.
Cada um da dupla terá que encontrar uma qualidade/virtude da “alma” do parceiro que gostaria de possuir.
Em um segundo momento casa dupla dirá aos outros que qualidades escolheu e o dono dessa qualidade dará dicas de como os que gostariam de tê-la podem agir para adquiri-la. 
Desta forma ficará demonstrado como podemos usar a alma de outra pessoa para conhecer melhor a nossa e que o objetivo de nos conhecermos melhor é nos tornar pessoas melhores, tal como nos diz Sócrates.

3 Comentários

  1. olá Robertina qual a página deste trecho de texto filosófico?

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  2. olá Robertina qual a página deste trecho de texto filosófico?

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    1. Eita, esqueci de colocar na referência rsrs Página 54-56.

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